Quadro de Edvard Munch, “Friedrich Nietzsche” (1906).

A crítica de Nietzsche à perspectiva historicista

No texto Segunda Consideração Intempestiva – Da utilidade e inconveniente da história para a vida (1873-74), Friedrich Nietzsche promove uma crítica à perspectiva histórica vigente em sua época. A historiografia com a qual o filósofo alemão se depara apresenta-se como uma imposição da ciência e da história sobre a vida. Continue reading

Estranhamento Religioso

A crítica de Marx ao estranhamento religioso nos termos propostos por Feuerbach

O jovem Marx integrou-se à vida política e intelectual ainda nos cursos de Direito, Filosofia e História, concluídos na Universidade de Berlim. Na época, tendências de oposição à monarquia absolutista da Prússia se consolidavam.

Sempre em busca de explicações mais plausíveis para a sua realidade e impregnado pela influência do iluminismo francês, do materialismo feuerbachiano, da doutrina hegeliana e da economia política clássica britânica, o jovem se fez também um oposicionista, assumindo a ideologia alemã da qual viria a ser o crítico mais radical. Continue reading

Jürgen Habermas, Vienna, 2004.

O Estado de bem-estar social à luz da concepção habermasiana

RESUMO: O objetivo deste artigo é discutir a proposta habermasiana de uma esfera pública crítica, desde a sua origem até a sua reabilitação no cerne do programa de Estado de bem-estar social. Se, primeiramente, Habermas nega a possibilidade de coexistência entre uma esfera pública que age comunicativamente embasada pela racionalidade com um Estado fortemente interventor e contrário aos pressupostos liberais da economia de mercado, em um segundo momento, em resposta à hegemonia neoliberal do final do último século, o autor a reabilita como a força propulsora de um sistema de governo intervencionista e aponta os ideais para que ela se realize. Ao mesmo tempo, será demonstrado como o programa de Estado de bem-estar social pôde se desenhar nessa conjuntura até o ponto de retirar a categoria trabalho de sua centralidade utópica fazendo erigir novos preceitos sob um democratismo radical. Continue reading

Quadro de Tarsila do Amaral, "Operários" (1933).

Trabalho estranhado e Propriedade privada

A obra de Karl Marx, Manuscritos Econômico-Filosóficos, publicada em 1932, também conhecida como “Manuscritos de Paris” e “Manuscritos de 1844”, é composta por três manuscritos. Trata-se de uma obra incompleta que, segundo seus intérpretes, constitui a “Introdução à Economia” de Marx – embora ele não tenha, até então, demonstrado autonomia para falar do assunto, limitando-se a citar outros autores.

A relação entre os pares conceituais determinados “Trabalho estranhado e Propriedade privada” é o leitmotiv da obra em questão; falar de um remete ao outro, pois ambos os conceitos não podem ser dissociados. Continue reading

Quadro "Alone in the fog" do pintor bielorrusso Leonid Afremov (2014)

Caminhante, de Antonio Machado, o poeta existencialista

Caminhante, um dos poemas mais divulgados de Antônio Machado, concentra interessante conteúdo filosófico referente à questão da prioridade essência e existência. Aliás, característica presente em outras criações do poeta existencialista que fez parte da “Geração de 98”, como era denominado o grupo de escritores espanhóis (Jose Ortega Y Gasset, Miguel de Unamuno, entre outros) cujas críticas literárias giravam em torno de uma época marcada por grande atraso social e econômico ulterior à derrota militar na Guerra Hispano-Americana e a decorrente perda de Porto Rico, Cuba e Filipinas, em 1898, para os EUA. Continue reading

Adorno e Horkheimer

A “Dialética do Esclarecimento”, de Adorno e Horkheimer

Os filósofos frankfurtianos Theodor Adorno e Max Horkheimer propuseram-se a árdua tarefa, na obra de 1947, Dialética do Esclarecimento (DE), de descobrir por que a humanidade, ao invés de entrar em um estado verdadeiramente humano, de civilidade, estaria se afundando em uma espécie de barbárie.

De início, os autores subestimaram a dificuldade de tal exposição, pois ainda depositavam excessiva confiança no potencial crítico da consciência em voga, imaginando poder encontrar a solução dentro da realidade existente através do recurso crítico à teoria das disciplinas tradicionais, como a sociologia, a psicologia e a teoria do conhecimento (epistemologia). Continue reading

Quadro de Lesley Oldaker, "Crossing Paths" (2014).

Sublimação: a cura para o mal-estar na civilização

Como podemos ser felizes? Eis a questão cuja resposta perturba a humanidade, sendo objeto de estudo de muitos pensadores no decorrer da história. Com Sigmund Freud não seria diferente. Conhecido como o pai da Psicanálise, o médico debruçou-se sobre o tema fazendo surgir uma nova compreensão do ser humano, este ser, segundo ele, dotado de uma razão imperfeita influenciada por desejos e sentimentos, os impulsos, constantemente contraditórios frente à condição própria de ser biopsicossocial que caracteriza nossa espécie. Continue reading

Walter Benjamin 1892 - 1940

O ensaio de Walter Benjamin: O Narrador – Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov

Associado à Escola de Frankfurt, o alemão Walter Benjamin é considerado por alguns estudiosos como o filósofo da melancolia. Filho de pais judeus, nascido em 1892, Benjamin teve uma curta carreira. Alinhou-se ao pensamento marxista anos antes do partido nazista assumir o poder na Alemanha, em 1933, quando decidiu exilar-se em Paris. O filósofo via na cidade luz uma grande fonte de inspiração para escrever seus ensaios e artigos para revistas literárias. Com a ocupação da França pelas tropas de Hitler, Benjamin empreendeu fuga sem sucesso, acabando por cometer suicídio, no ano de 1940, para não se entregar aos nazistas. Morreu aos 38 anos, mas viveu sonhando com a volta da paisagem de uma Europa que, então, encontrava-se em ruínas. Nesse sentido, o caráter melancólico do filósofo revela o anseio nostálgico representado pela relevância concedida ao ato de recordar. Continue reading

Cena do Filme Sociedade dos Poetas Mortos

A “Sociedade dos Poetas Mortos” e o transcendentalismo de Walt Whitman

O filme “Sociedade dos Poetas Mortos” mostra o drama vivido por alunos do segundo grau em um colégio com parâmetros rígidos de ensino e conduta racionalizantes com o objetivo de prepará-los para a formação superior sob o lema “tradição, honra, disciplina e excelência”.

O professor John Keating, interpretado pelo ator Robins Williams, vem à cena para mudar o modo com que os alunos veem o mundo. Com métodos nada ortodoxos em relação às diretrizes daquela instituição, Keating abusa de talento e sabedoria para inspirar seus alunos a perseguirem suas paixões individuais tomando as rédeas de suas próprias vidas e buscando um caminho de felicidade, mas sem desprezar o bom senso que essa caminhada exige. Continue reading