Quadro de Pierre-Auguste Renoir, "Luncheon of the Boating Party" (1880-81).

Amizade: como ela ameniza as dores humanas

O sofisticado sentimento da amizade tem sido tema de reflexão de grandes pensadores ao longo da história. Muitos deles a apresentam como a verdadeira cura para os males humanos, devido ao aspecto harmonioso que pode proporcionar à interação social. Nesse sentido, pergunta-se, nos dias de hoje, como podemos definir o efeito curativo da amizade? Qual é a relação desse sentimento com o progresso da vida em comunidade e com o avanço particular de seus indivíduos? Quais empecilhos a sociedade contemporânea precisa enfrentar para estabelecer, de fato, relações mútuas de respeito que resultem em uniões gratificantes de amizade?
Continue reading

Quadro de Edvard Munch, “Friedrich Nietzsche” (1906).

A crítica de Nietzsche à perspectiva historicista

No texto Segunda Consideração Intempestiva – Da utilidade e inconveniente da história para a vida (1873-74), Friedrich Nietzsche promove uma crítica à perspectiva histórica vigente em sua época. A historiografia com a qual o filósofo alemão se depara apresenta-se como uma imposição da ciência e da história sobre a vida.
Continue reading

Estranhamento Religioso

Marx e o estranhamento religioso de Feuerbach

O jovem Marx integrou-se à vida política e intelectual ainda durante os cursos de Direito, Filosofia e História, concluídos na Universidade de Berlim. Na época, tendências de oposição à monarquia absolutista da Prússia se consolidavam.

Sempre em busca de explicações plausíveis para a realidade e impregnado pela influência do iluminismo francês, do materialismo feuerbachiano, da doutrina hegeliana e da economia política clássica britânica, Marx tornou-se também um oposicionista, assumindo a ideologia alemã, da qual viria a ser o crítico mais radical.

Continue reading

Jürgen Habermas, Vienna, 2004.

Habermas e o Estado de Bem-Estar Social

RESUMO: O objetivo deste artigo é discutir a proposta habermasiana de uma esfera pública crítica, desde sua origem até sua reabilitação no cerne do programa de Estado de bem-estar social. Inicialmente, Habermas nega a possibilidade de coexistência entre uma esfera pública que age comunicativamente, embasada pela racionalidade, e um Estado fortemente interventor, contrário aos pressupostos liberais da economia de mercado. Em um segundo momento, em resposta à hegemonia neoliberal do final do último século, o autor a reabilita como força propulsora de um sistema de governo intervencionista e aponta os ideais para sua realização. Ao mesmo tempo, será demonstrado como o programa de Estado de bem-estar social pôde se estruturar nessa conjuntura, chegando ao ponto de retirar a categoria trabalho de sua centralidade utópica e erigir novos preceitos sob um democratismo radical. Continue reading

Quadro de Tarsila do Amaral, "Operários" (1933).

Trabalho Estranhado e Propriedade Privada

A obra de Karl Marx, Manuscritos Econômico-Filosóficos, publicada em 1932, também conhecida como “Manuscritos de Paris” ou “Manuscritos de 1844”, é composta por três manuscritos. Trata-se de uma obra incompleta que, segundo intérpretes, constitui a “Introdução à Economia” de Marx – embora ele ainda não demonstrasse autonomia para tratar do tema, limitando-se a citar outros autores.

A relação entre os pares conceituais “trabalho estranhado e propriedade privada” constitui o leitmotiv da obra; falar de um remete necessariamente ao outro, pois ambos os conceitos são indissociáveis.

Continue reading

Quadro "Alone in the fog" do pintor bielorrusso Leonid Afremov (2014)

Caminhante, de Antonio Machado: o poeta existencialista

Caminhante, um dos poemas mais conhecidos de Antônio Machado, concentra um interessante conteúdo filosófico ligado ao debate entre essência e existência. Esse traço, presente também em outras criações do poeta existencialista, é característico de integrantes da chamada “Geração de 98”, grupo de escritores espanhóis (como José Ortega y Gasset e Miguel de Unamuno) cujas reflexões literárias criticavam a profunda crise social e econômica instaurada após a derrota da Espanha na Guerra Hispano-Americana (1898), com a consequente perda de Porto Rico, Cuba e Filipinas para os Estados Unidos.
Continue reading

Silvia Federici

A crise da reprodução capitalista e a formação de um novo “proletariado ex lege”

Entrevista de Silvia Federici realizada por Francesca Coin em 23.07.2017, via Nazione Indiana, traduzido por Rafael Almeida Lemos. | Site LavraPalavra

———————————————————

Nos anos setenta você foi a primeira a falar contra o trabalho doméstico mostrando como o processo de acumulação nas fábricas inicia-se sob o corpo da mulher. O que mudou nesses anos? Continue reading

Adorno e Horkheimer

A “Dialética do Esclarecimento”, de Adorno e Horkheimer

Os filósofos frankfurtianos Theodor Adorno e Max Horkheimer propuseram-se a árdua tarefa, na obra de 1947, Dialética do Esclarecimento (DE), de descobrir por que a humanidade, ao invés de entrar em um estado verdadeiramente humano, de civilidade, estaria se afundando em uma espécie de barbárie.

De início, os autores subestimaram a dificuldade de tal exposição, pois ainda depositavam excessiva confiança no potencial crítico da consciência em voga, imaginando poder encontrar a solução dentro da realidade existente através do recurso crítico à teoria das disciplinas tradicionais, como a sociologia, a psicologia e a teoria do conhecimento (epistemologia). Continue reading

Quadro de Lesley Oldaker, "Crossing Paths" (2014).

Sublimação: a cura para o mal-estar na civilização

Como podemos ser felizes? Eis a questão cuja resposta perturba a humanidade, sendo objeto de estudo de muitos pensadores no decorrer da história. Com Sigmund Freud não seria diferente. Conhecido como o pai da Psicanálise, o médico dedicou-se ao tema fazendo surgir uma nova compreensão do ser humano, este ser, segundo ele, dotado de uma razão imperfeita influenciada por desejos e sentimentos, os impulsos, constantemente contraditórios frente à condição própria de ser biopsicossocial que caracteriza nossa espécie. Continue reading