Tag Archives: desigualdade

(M)idiocracia – a ditadura do pensamento vulgar: fundamento e movimento

Por Mário Henrique da Luz do Prado

Tal fenômeno de padronização massificada gera o movimento social predominante. Que, hoje, se manifesta num ódio político unilateral.

A referência é, na sua existência, indiscutível como elemento de formação individual, mas, sempre, e como que axiomaticamente, discutível na essência de seu conteúdo. Continue reading

Até onde o Estado deve interferir? Uma conversa franca com o filósofo Thomas Nagel

Depois de mais de três décadas lecionando Filosofia na New York University (NYU), considerada por muitos a principal instituição do mundo no ensino de Filosofia e de tributação, Thomas Nagel continua morando a poucos metros da universidade. Hoje aposentado, o professor, coautor do fabuloso livro O mito da propriedade (ao lado de Liam Murphy), recusa entrevistas, mas recebeu este autor no último dia 10 para uma conversa sobre a moralidade que embasa a cobrança de impostos por parte dos governos.

Doutor pela Universidade Harvard sob a orientação de John Rawls, um dos maiores filósofos americanos do século XX, Nagel não é um especialista em tributação, mas em Filosofia, sobretudo em Filosofia Moral. Por conta disso, foi capaz de trazer em seu livro com Murphy observações sobre o que está por trás dos problemas de política tributária. Continue reading

Zygmunt Bauman: “As redes sociais são uma armadilha”

Ele é a voz dos menos favorecidos. O sociólogo denuncia a desigualdade e a queda da classe média. E avisa aos indignados que seu experimento pode ter vida curta.

Zygmunt Bauman acaba de completar 90 anos de idade e de tomar dois voos para ir da Inglaterra ao debate do qual participa em Burgos (Espanha). Está cansado, e admite logo ao começar a entrevista, mas se expressa com tanta calma quanto clareza. Sempre se estende, em cada explicação, porque detesta dar respostas simples a questões complexas. Desde que colocou, em 1999, sua ideia da “modernidade líquida” – uma etapa na qual tudo que era sólido se liquidificou, e em que “nossos acordos são temporários, passageiros, válidos apenas até novo aviso” –, Bauman se tornou uma figura de referência da Sociologia. Suas denúncias sobre a crescente desigualdade, sua análise do descrédito da política e sua visão nada idealista do que trouxe a revolução digital o transformaram também em um farol para o movimento global dos indignados, apesar de que não hesita em pontuar suas debilidades. Continue reading

Diálogos com Zygmunt Bauman – Fronteiras do Pensamento

Bauman alerta, principalmente, para a urgência da reinvenção dos laços humanos. Entende-se, com ele, que as identidades tradicionais se dissolveram na efemeridade afetiva da modernidade líquida.

Orientados pela refinada visão de Bauman sobre a fluidez dos laços humanos, dos conceitos e dos saberes na contemporaneidade, definimos o desafio de pensar as novas identidades e as novas formas de saber. Continue reading

‘Nós hipotecamos o futuro’, critica sociólogo polonês Zygmunt Bauman

Em agosto de 2011, uma revolta em Londres chamou a atenção do mundo. Sem liderança aparente ou qualquer tipo de exigência, jovens foram às ruas. Incendiaram e saquearam lojas, invadiram shopping centers e destruíram símbolos da sociedade de consumo que os excluía.

A questão era intrigante. O que levou essas pessoas a essas ações violentas? Embora compartilhassem o contexto de crise econômica e falta de oportunidades com aqueles que levaram a cabo os movimentos da Primavera Árabe, os jovens do Reino Unido não queriam transformar a ordem. Segundo Zygmunt Bauman, “foi uma revolta de consumidores desqualificados”. Eles queriam, na verdade, participar do sistema. O sociólogo viu naquela revolta o símbolo do momento em que vivemos. Continue reading